Uma semana de Vídeo Índio Brasil na Aldeia Itapoã

Aconteceu durante a semana de 31 de Julho a 07 de Agosto na Aldeia Itapoã do Povo Tupinamba de Olivença- Ilheus-Bahia a Mostra Vídeo Índio Brasil.
A mostra se iniciou com 2 dias de oficinas da equipe de gestão da Rede Índios on Line, da Tuxáua Potyra Têpara jovens Tupinambá. Nas oficinas foram abordados temas como Cidadania, Protagonismo Juvenil, Ciberativismo, Etnojornalismo e Audiovisual. Os jovens da Aldeia fizeram um vídeo de ficção . Eles mesmo fizeram o texto, roteiro, imagens, e a edição.

Foram 07 dias onde pudemos ver e ouvir nossos parentes de outras naçoes e aprender com eles seus modos de vida. Vimos que muitos sofrem problemas parecidos aos que passamos aqui no Povo Tupinambá. Foi muito importante para nós este intercâmbio.
Gostamos muito de ver o filme Indígenas Digitais que teve filmagens aqui na Aldeia e saber que em vários outros Municípios outras  pessoas também assistiram, nos viram e aprenderam conosco.
Dos Filmes apresentados o que mais nos chamou a atenção foi o filmeCurumbiara, pois nos identificamos
com as situações de perseguição e conflitos em que vivemos aqui em nossa Terra Indígena. Nós aqui o povo Tupinambá também temos mini-documentários que retratam estas situações de conflito.

Unidos pela Lei Griô Nacional

Aconteceu hoje na Assembléia Legislativa da Bahia, que fica no Centro Administrativo em Salvador umaAudiência Pública em prol da votação da Lei Griô.
Estiveram presentes diversos mestres da Tradição oral, aprendizes, representantes do MinC, Secult-ba e SEC-Ba.
O evento e iniciou com várias rodas com cantigas tradicionais, pandeiros, sambadeiras… houve uma verdadeiro Intercambio de saberes e Tradicões.
Índios on Line se fez presente com a presença do Griô Aprendiz Atiã Pankararu e Aratycum Pankararu.
Potyra Tê Tupinambá, Tuxaua também se fez presente em apoio à Rede Griô Nacional em prol dessa Lei tão importante para a Cultura Brasileira e a Política Nacional de Transmissão oral do Brasil.
Para conferir o texto completo do Projeto de Lei acessem: www.acaogrio.org.br

Prêmio Tuxáua 2009 – do Ministério da Cultura - Secretaria de Cidadania Cultural - SCC/MinC Relatório Parcial – Período Janeiro a Maio de 2010

Prêmio Tuxáua 2009 – do Ministério da Cultura - Secretaria de Cidadania Cultural - SCC/MinC
Relatório Parcial – Período Janeiro a Maio de 2010
O Projeto Índios on Line com Cidadania surgiu da necessidade dos Indígenas participantes do Ponto de Cultura Índios on Line de conhecerem melhor seus direitos.
O Ponto de Cultura índios on Line, é uma Rede de Comunicação Indígena, uma Etnomídia Livre e conta com a participação de indígenas em todas as regiões brasileiras.

Para Refleti...


Para Refletir...


Para nós indígenas a terra não é apenas um fator econômico-produtivo ou um bem comercial como na mentalidade capitalista.

Para nós indígenas a terra é mais que um pedaço de chão. A terra não é apenas forma de sustento, mas principalmente um lugar territorial onde estão enterrados nossos ancestrais, onde desenvolvemos nossa cultura, nossa identidade e nossa organização social.

É impossível um povo indígena viver sem terra. A terra é a base de tudo.

Ao longo dos séculos, nós povos indígenas perdemos quase a totalidade de nossas terras para fazendeiros e posseiros. Muitas terras tidas como devolutas (http://pt.wikipedia.org/wiki/Terras_devolutas) foram aos poucos sendo titularizadas em nome de terceiros, sem considerar a existência de nós indígenas nessas áreas. Isso aconteceu bastante com o povo tupinambá e com muitos povos indígenas pelo Brasil afora.

É bom que se diga que isto aconteceu e acontece com a conivência do órgão indigenista oficial, que tinha e tem o dever de proteger as terras indígenas e seus habitantes tradicionais.

Devido a falta de iniciativa das entidades governamentais em reconhecer as terras dos povos indígenas, somos obrigados a retomar por conta e riscos próprios nossos territórios. Os conflitos são constantes. São muitos os casos de violência e mortes que acontecem durante as retomadas, porém é o único meio que temos de pressionar e de sobrevivência visto não termos terra para viver nosso modo de vida e tirar nossa subsistência.

Nossa Constituição Federal de 1988 determina que cabe à União demarcar todas as terras indígenas do Brasil, sem especificar regiões prioritárias. Acontece que o Governo Brasileiro coloca acima da Constituição as exigências do grande capital. Infelizmente, o que percebemos na prática é que em se tratando de demarcações o governo vem priorizando os povos da Amazônia pois estão incluídos nos convênios multilaterais. Nós povos indígenas que não estamos localizados na Amazônia, por dependermos exclusivamente do orçamento da União, somos constantemente prejudicados pelos cortes orçamentários.
Tudo isso é muito injusto, pois nós povos indígenas do Nordeste fomos os primeiros a serem invadidos e ter nossa terra usurpada.

Pensando os Direitos Indígenas



O ordenamento jurídico brasileiro sempre pretendeu incorporar o índio à comunidade nacional, o que é um equívoco. As Constituições Brasileiras republicanas de 1934, até a atual, sempre enfatizaram essa recomendação. Mesmo reconhecendo os direitos indígenas sobre as terras que tradicionalmente ocupam, as Constituições Brasileiras sempre silenciaram quanto ao reconhecimento da organização social dos índios, de seus costumes, de sua língua, de suas crenças e tradições. Inovando e ao mesmo tempo rompendo com esta concepção retrógrada, a atual Constituição avança, garantindo aos povos indígenas importantíssimos direitos, tais como o direito à organização social, aos seus costumes, ao uso de sua própria língua e a suas crenças e tradições.
A Sociedade Brasileira tem que, rapidamente, entender a necessidade histórica de autodeterminação dos povos indígenas, ou então serão partícipes desse massacre a que índios brasileiros vêm sendo submetidos.
O que vamos fazer para que isto ocorra?
Como mostrar à sociedade que os índios têm seus direitos garantidos e que precisam ser respeitados?

O que é ser índio?




Ser índio é ser igual, e ser diferente. Ser índio é ter coragem de lutar e com a luta unir seu povo.

Ser índio é ter orgulho de sua identidade e com ela fortalecer sua cultura. Ser índio é tornar mais forte o seu povo e reviver a sua inteligência.

Ser índio é não ter aquilo que não gosta e ter aquilo que lhe pertence. Ser índio é cuidar da mãe terra e preservar a natureza.

Ser índio é ser amigo nos dias de sol e de chuva. Ser índio é ter consigo a liberdade e fazer valer a sua capacidade.

Ser índio é viver em comunidade. Ser índio é gostar da verdade. Ser índio é lutar pela igualdade. Ser índio é sorrir e chorar com os que amam o próximo com ternura e sinceridade.

Esses pequenos versos eu dedico para todas as comunidades indígenas e digo mais parentes, nunca desistam de seus ideais, não deixem que pequenos obstáculos venham impedir uma luta que ultrapassa 500 anos de resistência.

Texto escrito por Puhuy Pataxó, índio Pataxó Hãhãhãe, e retirado do site www.indiosonline.org.br